A fatura de energia da Copel não é apenas um boleto; é um laudo técnico do seu comportamento de consumo. O problema é que a maioria dos paranaenses olha apenas o campo “Total a Pagar”.
Para economizar de verdade, precisamos dissecar a conta. Neste guia técnico, vamos analisar os campos vitais da fatura (Baixa e Alta Tensão) e revelar onde estão escondidos os custos que você pode cortar.
1. O Cabeçalho: Quem é você para a Copel?
A Classificação (logo abaixo do nome do titular) define a sua tarifa. Se você é produtor rural e está classificado como “Comercial”, você está perdendo 30% de desconto legalmente garantido.
Entender os Subgrupos (B1, B3 e Grupo A)
Verifique o campo “Subgrupo” na sua conta:
- B1 (Residencial): Tarifa padrão com ICMS progressivo.
- B3 (Comercial/Serviços): Paga alíquotas cheias desde o primeiro kWh.
- Grupo A (Alta Tensão): Se aparecer isso, pare tudo. Sua conta é binômia (Demanda + Consumo). Se você não estiver comprando energia no Mercado Livre, provavelmente está pagando até 35% mais caro do que deveria.
2. Dados de Leitura: Onde o erro acontece
A Constante de Multiplicação é um fator matemático usado em medidores maiores. Se sua constante for 10 e o relógio marcou 5, seu consumo real foi 50 kWh.
O Perigo da “Leitura pela Média”
Na parte amarela da fatura, observe as “Datas de Leitura”.
Se o leiturista da Copel não conseguir acessar seu relógio (portão fechado, cachorro), ele lança a Média dos últimos 12 meses.
3. Composição: O “Frete” da Energia
Sua conta é dividida em dois grandes custos: TE (Tarifa de Energia), que é o produto consumido, e TUSD (Tarifa de Uso do Sistema), que é o aluguel dos fios e postes da Copel até sua casa.
Análise Detalhada: Fio A, Fio B e Perdas
A Copel detalha esses valores no quadro “Composição”. Veja o que você paga:
| Item | O que é | Onde Economizar |
|---|---|---|
| TE | Energia das Usinas (Itaipu, etc) | Assinatura Solar abate 100% disso. |
| TUSD Fio B | Infraestrutura Local (Postes) | Assinatura Solar abate a maior parte. |
| Encargos | CDE, PROINFA (Subsídios do Governo) | Não há como fugir no mercado cativo. |
Nota Técnica: No Paraná, devido à grande área rural, a TUSD (o frete) tem um peso significativo na conta final.
4. Impostos: O “Cálculo por Dentro”
O ICMS, PIS e COFINS não são somados ao final; eles integram a própria base de cálculo. Isso significa que você paga “imposto sobre imposto”, elevando a alíquota real efetiva para mais de 40% em muitos casos.
Tabela Progressiva de ICMS no Paraná
O estado do Paraná utiliza faixas de consumo para definir a mordida do leão. É vital manter seu consumo na faixa correta:
- Baixa Renda / Consumo Mínimo: Isenção total de ICMS (dependendo da legislação vigente, geralmente até 90kWh para subvenção).
- Consumo Intermediário: Alíquotas reduzidas.
- Consumo Pleno: Alíquota cheia (normalmente 29%) aplicada sobre o valor total da fatura.
*Dica Volt: Às vezes, reduzir o consumo em apenas 5 kWh no final do mês evita que você pule para a faixa de alíquota cheia, gerando uma economia desproporcional.
5. DIC, FIC e DMIC: Seu Direito a Ressarcimento
Como saber se a Copel te deve dinheiro?
No rodapé da fatura, procure pelos “Indicadores de Continuidade”.
- DIC: Quantas horas você ficou sem luz.
- FIC: Quantas vezes a luz caiu.
Ao lado, existe o “Limite”. Se o valor “Realizado” for maior que o “Limite”, a Copel é obrigada a devolver dinheiro na sua fatura automaticamente. Muitas vezes isso passa despercebido. Audite isso mensalmente.
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